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Com arrecadação de agosto, Primavera é uma cidade que aparenta Dubai mas serviços públicos africanos

  • Foto do escritor: Ely Leal
    Ely Leal
  • 4 de set. de 2023
  • 3 min de leitura

Uma das cidades que mais cresce no Brasil, Primavera do Leste é uma potência financeira, mas benefícios chega pouco aos mais necessitados

Primavera do Leste fechou os 31 dias do mês de agosto com uma arrecadação de R$ 35.192.999,03. Isso equivale a entrada diária (incluindo sábados, domingos, feriados e pontos facultativos) de R$ 1.135.258,03, todo santo dia, faça chuva ou faça sol.

Somente neste ano de 2023, já entrou nos cofres municipais, R$ 345.192.674,61. E até 31 de Dezembro, vai entrar mais R$ 257.371.986,59.

Com 85.146 pessoas na cidade e com o total de R$ 602.564.661,20 arrecadados, a cidade vai atingir um patamar de arrecadação per capita (Arrecadação pelo número de habitantes) de R$ 7.076,84.

Ou seja, simplesmente por morar nesta cidade, o cidadão, cidadã, criança, adolescente, velho ou novo, já contribui com mais de R$ 7 mil por mês, já que 90% da arrecadação vem do F.P.M. que conta o numero de habitantes e com o ICMS estadual que conta o consumo da cidade e com a Cota-Parte do IPVA, que conta os carros emplacados no município.

Com tais números, a cidade é o paraíso dos politicos, que vivem do dinheiro público.

Bem servida de infraestrutura urbana na região central e com grandes empresas sendo atraída pela proximidade com a produção da soja, milho, feijão, algodão e pecuária, a cidade no entanto castiga os moradores da periferia com ruas esburacas, constante falta de água, iluminação deficitária e saúde em péssimo estado.

Polo regional no atendimento de média complexidade, Primavera recebe recebe mais dinheiro do governo federal para atender aos municípios vizinhos que só tem a atenção básica. A alta complexidade é regulada para Rondonópolis e Cuiabá.

E para atender seus mais de 85 mil moradores e as cidades próximas da atenção básica, a única unidade da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) pode ser tudo, mas não oferece "pronto atendimento" exceto para casos gravíssimos, onde geralmente são superficialmente medicados e enviados para a rede hospitalar conveniada.

Para A.L.S., de 42 anos, mãe de 2 filhos menores, moradora do distante Primavera 3, a situação é desesperadora: "meu maior medo é que uma das crianças fique doente a noite. Aí o tormento é total, não tenho como me locomover até a UPA, se conseguir, a espera é uma desumanidade e quando acontece atendimento, o médico receita dipirona e manda pra casa, onde o quadro se agrava. É desesperador", relata ela.

No asfaltamento, a questão das licitações para aquisições de material betuminoso é, via de regra, bastante obscura e problemática. As licitações para aquisição de remédios para a farmácia municipal conseguem ser ainda pior.

Para J.E.P.L., de 62 anos, cardiaco e diabético, a Farmácia Municipal; "...já desisti de procurar meus remédios na Farmácia Municipal, agora peço ajuda aos amigos e compro na rede particular...", relata ele.

Por sua arrecadação estrondosa, a cidade poderia oferecer ruas melhor pavimentadas, bairros mais humanizados, rede de água e esgoto decentes, investimentos e conexões de internet de qualidade, moradias dignas para seus habitantes.

Mas a prioridade da gestão é atender a região onde moram a classe alta e o centro, com os bairros ficando invariavelmente no atendimento emergencial e básico.

Pelo que aufere de repasses a cidade poderia ser de todos. Por enquanto é de alguns.

Se a arrecadação é digna de países de 1º Mundo, o serviço público oferecido é muito parecido com o de Marrocos, no continente africano.




Redação: Ely Leal



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