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Vorcaro soube quem eram juiz e investigadores antes de ação, diz PF

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elnewspva
há 33 minutos
2 min de leitura

Delegada afirmou que ex-banqueiro conhecia detalhes do inquérito sobre o Master antes da deflagração da Compliance Zero

A Polícia Federal (PF) afirmou ter reunido indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro sabia antecipadamente da investigação sobre o Banco Master e conhecia detalhes do inquérito antes da deflagração da Operação Compliance Zero, que resultou em sua prisão. A informação consta de um pedido, em novembro de 2025, de prorrogação das investigações.

O documento veio a público depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de 15 procedimentos relacionados ao caso Master, na noite desta quinta-feira, 11. A medida ocorreu a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.

Mendonça não liberou a íntegra de todas as investigações. Parte dos documentos permanece sob sigilo, principalmente diligências que ainda estão em andamento. O caso envolve suspeitas relacionadas a operações financeiras e diferentes agentes políticos.


PF aponta acesso de Vorcaro a informações sigilosas

Segundo a PF, Vorcaro não teria apenas conhecimento da existência do inquérito. A corporação afirma que ele sabia detalhes sobre a condução da investigação, embora o procedimento estivesse protegido por sigilo.

“Já foram consolidados indícios veementes de que o investigado, Daniel Bueno Vorcaro, soube de maneira antecipada e antes da deflagração não apenas o fato de existir investigação criminal em curso, mas também a vara, o nome do juiz que conduzia o feito, bem como o nome de diversos membros da equipe de investigação”, afirmou a delegada responsável pela apuração.

Para a PF, o acesso antecipado às informações reforçava a hipótese de que o banqueiro poderia deixar o Brasil para evitar uma eventual prisão. “Além da gravidade da situação descrita anteriormente, que corrobora a intenção de fugir do principal investigado nos autos”, registrou a delegada.

Vorcaro foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025. A investigação apurava suspeitas de fraudes em operações financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília.

O documento da PF, contudo, não esclarece de que maneira Vorcaro teria obtido as informações nem aponta quem poderia ter repassado os dados. Também não afirma que o banqueiro sabia a data em que a operação seria realizada. A acusação da corporação se restringe ao suposto acesso, antes da deflagração, a informações protegidas por sigilo.

A divulgação dos documentos ocorre em meio à crise no STF provocada pela publicação de mensagens e registros de contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Nos últimos dias, Mendonça tornou parte desse material público e encaminhou o caso para análise do plenário da Corte.

A Procuradoria-Geral da República questionou a legalidade da apuração. Moraes também acusou Mendonça de cometer irregularidades na condução das investigações.

O conflito alcançou ainda a cúpula da PF. Mendonça determinou o afastamento de integrantes da direção da corporação, entre eles o diretor-geral, Andrei Rodrigues. A decisão foi revertida pelo ministro Flávio Dino.

Diante da sequência de decisões conflitantes, Fachin suspendeu as determinações de Mendonça e Dino. O presidente do STF também estabeleceu que procedimentos envolvendo integrantes da Corte deverão passar previamente pela Presidência do tribunal.


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