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O Supremo Diretório: quando o STF vira comitê central da extrema esquerda e corrompe a democracia

  • Foto do escritor: elnewspva
    elnewspva
  • 24 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

Sem votose sem base de sustentação, a devoção da esquerda ao STF revela menos fé na justiça e na democracia e mais cálculo de poder

Nos últimos dias, partidos e governadores da esquerda nacional — aqueles mesmos que, em passado não tão remoto, costumavam ver no Supremo Tribunal Federal um entrave elitista à “vontade popular” — mobilizaram-se em massa para declarar “irrestrita solidariedade” aos ministros da Corte.

Essa reverência, digna de clero em romaria, foi celebrada com a solenidade de um sacramento (ou, diria um observador mais malicioso, com a concupiscência de um bacanal). E, como já virou regra na política brasileira, quando a esquerda recorre a fórmulas de afeto institucional, convém sempre verificar onde termina a liturgia e onde começa a conspiração.

A cena teria causado perplexidade se não fosse velha conhecida de quem estudou dois parágrafos de Gramsci. O comunista italiano, cujo nome virou senha de admissão nos círculos lulopetistas, ensinava que a conquista do poder exige mais do que tanques ou votos: requer a captura das instituições por dentro, de modo que o Estado — ou, como dizia ele, o “Estado ampliado” — passe a funcionar como correia de transmissão da hegemonia ideológica do grupo dominante. Com a imprensa domesticada, as universidades regimentadas e os sindicatos comprados, restava o último bastião: o Judiciário.

A Suprema Corte, instância derradeira de contenção do arbítrio (abaixo apenas do Juízo Final), precisava, ela também, ser submetida à pedagogia revolucionária.

O resultado está à vista. O STF, hoje, não se contenta em interpretar criativamente a Constituição: reescreve-a em tempo real, sob medida para os interesses de ocasião do consórcio que, sob o nome fantasia de “democracia”, administra a simbiose entre partido, imprensa e tribunal.

A esquerda, que durante anos bradava contra o “entulho autoritário”, descobriu agora as delícias da censura quando a caneta é sua. E diante do primeiro ruído de crítica institucional, desfila aos pés dos ministros com uma devoção canina. Eis aí a Nova República em seu esplendor, tal como concebida, nos anos 1980, pela intelectualidade gramsciana tucanopetista.


O Supremo virou diretório do lulopetismo

Por óbvio, a solidariedade à Corte nada tem de genuína. É, antes, uma saudação ao novo comitê central do projeto hegemônico — um gesto que reconhece, sem dizer, que a esquerda já não confia no eleitorado, nem nas urnas, nem tampouco no Congresso que ela mesma esvaziou.

O único poder digno de reverência é aquele que não presta contas a ninguém, o que decide sozinho, sem apelação, e fá-lo ainda em nome da “normalidade institucional”.

Resta que, se o Supremo virou o diretório informal do lulopetismo — e, mais geralmente, daquilo que Hugo Chávez chamava de “socialismo do século 21” —, é apenas porque foi longamente educado para sê-lo.

E, se a esquerda o trata com tamanho zelo, não é por apreço à lei, mas por saber, com a clareza dos cínicos, que nenhum outro poder lhe garante com tanto empenho o privilégio de transgredir sem punição e punir sem transgressão.


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