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Caso Zampieri: promotor diz que mandantes ainda não estão em julgamento e que atacar a vítima é 'retórica a serviço da impunidade'

Foto do escritor: elnewspva
elnewspva
5 de out.
2 min de leitura

Questionado sobre a estratégia das defesas de desacreditar a investigação, inclusive sobre o deslacre de materiais e o conteúdo de celular e HD, o promotor afirmou que foi o Ministério Público, por meio dos promotores do Núcleo de Defesa da Vida, quem levou a situação ao Conselho Nacional de Justiça

O Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá realiza, nesta quarta-feira (30), o segundo dia de julgamento de três acusados de participação no homicídio do advogado Roberto Zampieri.

Antes do início dos trabalhos, o promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins afirmou que a investigação foi aprofundada, com acompanhamento do Ministério Público, atuação da Delegacia de Homicídios da Polícia Civil e complementação da Polícia Federal. Segundo ele, em todas as instâncias foi descartado, "ao menos por enquanto", qualquer indício de envolvimento de Maria Angélica, que foi investigada e presa no início do caso, mas liberada e não denunciada.

O promotor destacou que, neste julgamento, pouco importa quem foi o mandante, já que estão sendo julgados executores e intermediários. Para ele, levar o júri para o campo da desconfiança é "jogar uma nuvem de fumaça" sobre algo que, na avaliação da acusação, está claro quanto à responsabilidade. Ele acrescentou que os mandantes não são julgados agora, mas terão a oportunidade de se defender em outro júri, que o MP espera que ocorra em breve.

Sobre a tese da defesa de Antônio Gomes da Silva, que o apresenta como alguém indignado com a suposta venda de sentenças, o promotor disse que a maior parte das defesas, com exceção de Antônio, sustenta a negativa de autoria. Nesse caso, argumentou, a conduta da vítima é irrelevante, e haveria uma "ilogicidade clara" em tentar desqualificá-la.

Martins afirmou que toda vítima tem erros e acertos, mas que Zampieri era pai de família, com filhos e esposa, e que o Ministério Público defende a vida de qualquer ser humano, sem discriminação. Segundo ele, atacar a vítima é "retórica a serviço da injustiça, da impunidade".

Questionado sobre a estratégia das defesas de desacreditar a investigação, inclusive sobre o deslacre de materiais e o conteúdo de celular e HD, o promotor afirmou que foi o Ministério Público, por meio dos promotores do Núcleo de Defesa da Vida, quem levou a situação ao Conselho Nacional de Justiça, por meio de representação contra o magistrado responsável, diante de fatos considerados inusitados no processo.

Ele disse que houve tentativa de destruir o conteúdo desse material, e que hoje ele está com a Polícia Federal, o STJ, o STF, o CNJ e as próprias defesas. Segundo o promotor, as consequências cabem às instâncias de controle, que, em sua avaliação, fazem um trabalho legítimo contra a corrupção.

Sobre a possibilidade de um "consórcio" interessado na morte de Zampieri, o promotor disse que acreditava nessa hipótese no início e que pode haver outros interessados, mas que ter interesse não significa ter participado do crime. Segundo ele, a acusação trabalha com a prova plena que possui, e um inquérito complementar apura eventuais outros mandantes, com acompanhamento do MP e garantia dos direitos dos investigados.

O promotor pediu ainda que imprensa e sociedade não esqueçam os familiares da vítima, citando a viúva e os filhos, e classificou o caso como violação de direitos humanos e homicídio triplamente qualificado.

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