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Ditadura do Irã condena adolescente à morte

  • Foto do escritor: elnewspva
    elnewspva
  • há 8 horas
  • 2 min de leitura

Condenação foi proferida menos de um mês depois de ele ser preso nas manifestações de janeiro

Saleh Mohammadi, 18 anos, foi condenado à morte. Proferida em 12 de fevereiro, a sentença foi anunciada menos de um mês depois de ele ser preso, em 15 de janeiro. Ele afirmou ter matado um policial durante os protestos no mesmo mês no Irã, mas a confissão do suposto crime aconteceu com o adolescente sob tortura.

O caso de Mohammdi não é uma exceção. No início de fevereiro, a organização não governamental (ONG) Irã Direitos Humanos (IHRNGO, sigla em inglês) emitiu um alerta sobre execuções de manifestantes capturados.

“Altos funcionários da República Islâmica, incluindo o chefe do Judiciário, ordenaram publicamente ‘julgamentos sumários’ e ‘punições severas’, e os manifestantes foram sistematicamente rotulados como ‘terroristas’, ‘agentes estrangeiros’ e mohareb (inimigos de Deus)”, informa a ONG. “Essas acusações acarretam pena de morte segundo a lei iraniana.”


Presos políticos

No fim de dezembro de 2025, manifestantes passaram a tomar conta das ruas de grandes cidades iranianas. Inicialmente, a pauta era o aumento do custo de vida no país. Conforme os protestos aumentaram, a reivindicação se tornou a queda do regime: a ditadura religiosa que controla o Irã há meio século.

O sistema reagiu com repressão. Segundo estimativas da IHRNGO, 40 mil iranianos foram presos. Todos podem ter o mesmo destino de Mohammadi. “Desde a primeira semana de protestos, a mídia estatal tem transmitido centenas de confissões forçadas, obtidas sob coerção, tortura e ameaças contra os detidos e suas famílias”, afirma.

A ONG afirma ter recebido relatos de execuções sumárias de manifestantes e de proibição de atendimento médico, o que levou feridos à morte. Documentos recebidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que o número de mortos pode ter passado de 80 mil.


Ditadura dos aiatolás no Irã

Em 1979, o Irã deixou de ser uma monarquia laica para mergulhar num regime fundamentalmente religioso. Antes da mudança, o xá era o governante — cargo equivalente a rei. Depois, o posto de maior poder passou a ser o de líder supremo, posição sempre ocupada por um aiatolá, título do alto clero muçulmano cuja tradução significa “sinal de Deus”.

O primeiro aiatolá no topo do poder foi Ruhollah Khomeini. Ele permaneceu no cargo até morrer, em 1989, quando foi substituído por Ali Khamenei — líder supremo da ditadura no Irã desde então. Sob o comando dos aiatolás, as leis se tornaram submissas à visão deles sobre o islã. Homens e mulheres não são iguais perante a Lei.


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