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Lobista Andresson dizia que "era mortal" nos seus pedidos no Poder Judiciário

  • Foto do escritor: elnewspva
    elnewspva
  • 2 de jun.
  • 3 min de leitura

Segundo a PGR, Andreson Gonçalves seria o líder do esquema, apontado como responsável pela intermediação junto aos tribunais em Brasília. Ele foi denunciado por corrupção ativa, exploração de prestígio, lavagem de capitais e organização criminosa

As trocas de mensagens entre o empresário Andreson de Oliveira Gonçalves e o advogado Roberto Zampieri mostram que o lobista tinha total confiança em obter decisões favoráveis aos interesses de seu grupo nas esferas do Poder Judiciário. Andreson chega a falar ao advogado que "é mortal" em atender os pedidos no Judiciário.

A conversa entre ambos remete a uma Reclamação Especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Antes da decisão ser publicada, o lobista encaminhou a Zampieri, que atuava na causa, uma minuta da decisão ainda sem a assinatura da ministra responsável.

Dias depois da conversa, foi publicada a decisão que reproduzia a minuta compartilhada pelo lobista com o advogado. "O inteiro teor da decisão, disponibilizado em 3.12.2019, reproduziu integralmente a fundamentação da minuta previamente compartilhada por ANDRESON", diz a denúncia.

A parte contrária a Zampieri na ação ingressou com recurso. Poucos dias depois, houve decisão negando o recurso.

Foi quando Andreson avisou ao 'parceiro' que suas interferências junto ao STJ são sempre exitosas. "Ué, negando, né, querido; aqui é mortal, zamp", escreveu o lobista.

A denúncia relata que após a decisão favorável, Andreson e Zampieri passaram a tratar do pagamento da propina pela decisão favorável. Foram vários repasses utilizando pessoas físicas e jurídicas. O custo total da decisão foi de R$ 250 mil.

"A finalidade do ajuste era interferir no conteúdo da decisão a ser proferida no feito, mediante a atuação de DAIMLER ALBERTO DE CAMPOS, servidor público que figurava como um dos elos internos da organização no Tribunal", afirma a denúncia.

DENÚNCIA

No último dia 27 de maio, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, protocolou denúncia junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), contra nove investigados suspeitos de integrar uma organização criminosa voltada à negociação de decisões judiciais. Nenhum magistrado do STJ foi denunciado.

Segundo a PGR, Andreson Gonçalves seria o líder do esquema, apontado como responsável pela intermediação junto aos tribunais em Brasília. Ele foi denunciado por corrupção ativa, exploração de prestígio, lavagem de capitais e organização criminosa.

De acordo com a investigação, o grupo atuou entre junho de 2019 e dezembro de 2023, principalmente em Brasília e Cuiabá, com divisão de funções entre captação de clientes, acesso interno a informações no STJ e movimentação financeira para ocultação de recursos.

“A organização criminosa voltada a pagamento e obtenção de vantagens pecuniárias ilícitas, em troca de interferências no resultado de decisões judiciais proferidas no bojo de processos com tramitação no Superior Tribunal de Justiça”, diz trecho da denúncia assinada por Paulo Gonet.


Confira os nove denunciados pela PGR:

• Andreson de Oliveira Gonçalves: empresário apontado como líder do esquema. Denunciado por corrupção ativa, exploração de prestígio, lavagem de capitais e organização criminosa.

• Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello Gonçalves: advogada e esposa de Andreson. Responde por lavagem de capitais e organização criminosa.

• Márcio José Toledo Pinto: ex-servidor do gabinete da ministra Maria Isabel Gallotti. Denunciado por corrupção passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de capitais e organização criminosa.

• Daimler Alberto de Campos: ex-chefe de gabinete no STJ. Responde por corrupção passiva, violação de sigilo funcional e organização criminosa.

• Vanessa Resende Gonçalves: esposa de Márcio José Toledo Pinto. Denunciada por lavagem de capitais e organização criminosa.

• Diego Cavalcante Gomes: apontado como operador financeiro do esquema. Responde por lavagem de capitais e organização criminosa.

• João Batista da Silva: também atuaria na movimentação financeira dos valores. Responde por lavagem de capitais e organização criminosa.

• Bernardo Mazzutti: investigado por supostamente pagar por decisões favoráveis em processos no STJ. Denunciado por corrupção ativa e lavagem de capitais.

• Carlos Antônio Nogueira Júnior: apontado como interessado em decisões judiciais negociadas no esquema. Responde por corrupção ativa e lavagem de capitais.

A denúncia detalha suspeitas de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, exploração de prestígio e organização criminosa. Entre as provas reunidas estão registros internos do STJ, quebras de sigilo bancário, metadados de arquivos e mensagens trocadas por WhatsApp.

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